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Quem foi a Marquesa de Santos

Marquesa de Santos ficou conhecida por seu polêmico relacionamento extraconjugal com o imperador Dom Pedro I. Confira essa curiosa história.

Marquesa de Santos

Retrato pintado a óleo da Marquesa de Santos.

Marquesa dos Santos – Domitília de Castro e Canto Melo - foi talvez um dos ícones mais confuso e contraditório da história do Brasil. Sua forma de vida – vista como escancarada – teve  muita importância para o entendimento das relações do espaço feminino no Império.

Como é de costume pensar, o Império Brasileiro era essencialmente patriarcal. Os homens exerciam as funções mais importantes na sociedade e na política, enquanto às mulheres, era destinado o casamento e a submissão ao marido, os cuidados da casa e das crianças. Embora essas afirmações tenham seu caráter de veracidade, os historiadores descobriram em histórias como a de Domitília, uma relação mais complexa entre os gêneros quanto aos costumes.

Domitília, filha de coronel e pertencente a uma família tradicional de São Paulo, foi uma jovem atraente e de vida repleta de romances. Seu primeiro casamento aconteceu ainda com 15 anos de idade, com o Oficial mineiro Felício Pinto Coelho de Mendonça. Algumas fontes sugerem esse casamento fora marcado pela violência por parte do marido que constantemente suspeitava de traições. Em uma das inúmeras discussões, Domitília foi esfaqueada pelo marido, o que culminou em seu divórcio.

Após ter voltado para casa dos pais em São Paulo, Domitília começou um romance com o imperador Dom Pedro I. Esse relacionamento a

Casa da Marquesa de Santos

Mansão da Marquesa de Santos. Hoje, Museu do Primeiro Reinado.

colocaria na história do país. Admitindo um relacionamento extraconjugal com o imperador – que outrora casado com Leopoldina -, a jovem paulistana expôs sua vida aos dizeres e fofocas do povo. Dom Pedro não escondia sua amante e escandalizava a todos levando-a publicamente a festas e eventos do império. Domitília foi agraciada com o título de Marquesa de Santos pelo imperador e lhe foi dada uma mansão no Rio de Janeiro.

Logo a vida da esposa oficial do imperador teve um fim. Leopoldina morrera e as personalidades políticas brasileiras pressionavam Dom Pedro I a não se casar com Domitília, devido seu  relacionamento desregrado. O imperador precisa casar com um mulher de família nobre européia para manter uma imagem positiva do Brasil no exterior. Este teve dificuldades em encontrar uma esposa, pois sua fama de libertinagem havia se espalhado pelas côrtes europeias.

Quando finalmente encontrou uma esposa, Dom Pedro rompeu se relacionamento com Domitília – essa era uma das condições para que o casamento fosse autorizado. Casou-se com Amélia Leuchtenberg, e Domitília regressou a São Paulo, onde mais tarde entrou em matrimônio com o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar.

Em sua velhice, Domitília é lembrada como senhora caridosa, que dedicou seu restante de vida a ajudar os pobres e estudantes. Faleceu viúva, no dia 3 de novembro de 1867 em São Paulo.


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