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Na Bíblia fala sobre Tatuagem

As tatuagens são formas de expressão de simbologia étnica presentes em várias culturas espalhadas pelo mundo. Mas o que a bíblia sagrada dos cristãos e o cristianismo dizem a respeito? Clique e saiba mais sobre esse debate polêmico.

Inti, Deus Sol.

Tatuagem da divindade inca Inti, Deus Sol.

As tatuagens são desenhos sobre pele humana e suas origens remontam de milhares de anos. Elas fazem parte de diferentes culturas pelo globo para diferentes significados e transmitem principalmente elementos da dinâmica do mundo por meio de simbologias étnicas. Até hoje pessoas no mundo  todo utilizam as tatuagens como forma de preservar esses antigos costumes herdados pela família, manter seus rituais e simbologias e preservar sua identidade.

Porém, a tatuagem mostrou-se algo atrativo para a indústria capitalista e por ela foi adotada. A indústria da moda a transformou em acessório definitivo que cada vez mais ganha adeptos. Hoje, é muito comum encontrar e conhecer pessoas que possuam tatuagens e as exibem normalmente.

Essa questão transmite um grande problema pro ocidente. Como a religião predominante em terras ocidentais é o cristianismo, como as tatuagens e sua grande carga de sentidos são compreendidos no universo cristão? São várias as teses sobre esse assunto atual, porém a posição cristã predominante é a de rejeição desse atributo étnico social.

É comum das doutrinas cristãs rejeitarem tudo o que lhes é estranho a sua cultura e religiosidade. As igrejas adotam a postura de demonizar as demais práticas culturais que não as dela, nomeando de paganismo ou simplesmente atribuindo outras divindades a demônios conhecidos como se ambos fossem a mesma coisa. Dessa forma, é comum ver pastores e padres pregando contra várias etnias religiosas sem ater-sem a um estudo mais específico antes, pois pela lógica não seria preciso.

O problema é que o cristianismo surgiu do sincretismos de idéias e costumes e este só tornou-se grande em uma nação diferente da “nação escolhida por Deus”- os judeus que

coroação de Carlos Magno

Coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III no império Franco.

até hoje permanecem com a cultura judaica, negando a prevalência e autenticidade de Cristo – até então foco para a doutrina. Como a comunidade judaica estava sob domínio romano, o sincretismos das culturas montou um ambiente  diferente do que aquele que se costuma pensar. Cristo pregou idéias de amor e salvação em um mundo de violência, sofrimento, pobreza e necessidade do povo judaico. No entanto, as idéias de esperança, fé e salvação por ele pregadas tiveram sua repercussão instaurada  no universo romano.

O cristianismo em sua maior forma, o Catolicismo Apostólico Romano, foi implantado como religião oficial do Império Franco que correspondia a quase toda a Europa.  Para que o cristianismo fosse aceito por tantas diversidade étnicas que estavam em jogo, inúmeros sincretismos foram considerados e continuam em vigor até hoje na imagem de tradicionalismo cristão.

A dúvida que fica no ar é: como uma etnia religiosa, fruto de inúmeros sincretismos, pode simplesmente paganizar aspectos sociais tão próximos a ela?

Com as reformas religiosas o acesso ao cânone cristão – a bíblia sagrada – se intensificou e várias pessoas puderam desde então ter uma bíblia e estuda-la. Os protestantes puderam basear-se em textos bíblicos que de certa forma legitimavam sua postura pelas leis e preceitos de Deus.

Hoje em dia, usa-se muito um versículo do Antigo Testamento para basear a negação a tatuagens. Esse versículo encontra-se em Levítico 19:28 e diz: Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor. 

Antiga bíblia

Bíblia Sagrada.

Utilizando-se da própria bíblia para combater esse argumento, podemos perceber que na nova aliança de Deus, característica primordial do cristianismo, os cristão não mais seguiriam a velha lei judaica de levítico. Esse confirmação pode ser encontrada em Gálatas 3:23-25 que diz: Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar. De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados.Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Há outras passagens que reforçam essa concepção como Romanos 10:4.

Os livros da nova aliança (os do Novo Testamento) nada falam sobre a proibição do uso das “marcas” no corpo. Até porque marcas de todo tipo eram comuns em Roma. Alguns cristão quando em vista desses argumentos dizem que não se deve abandonar a antiga lei só por isso. Mas a antiga lei servia para o povo e cultura hebraica. Se os cristãos de hoje fossem seguir as antigas leis, ocorreria um choque cultural, social e político enorme. Um pouco antes da passagem de Levítico em questão, encontramos passagens como essa: Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem desfigurareis os cantos da vossa barba. Levítico 19:27. É uma coisa simples da antiga lei que a grande parte esmagadora dos cristãos atualmente ignoram, porém faz parte de todo o contexto.

Alguns teólogos estendem a discussão no que atenta a concepção cristã do corpo como moradia do Espírito Santo de Deus. Mas essa discussão acaba fugindo do cânone, pois até onde uma tatuagem pode ser considerada como forma de poluir o corpo? A que padrões podemos estabelecer graus de importância e rejeição de diferentes aspectos culturais? Os cristãos atualmente podem cometer a usura, mas porque não podem fazer uma tatuagem que não tenha significado anti bíblico?

Essas questões remetem a uma longa discussão que talvez não tenha respostas definitivas. O importante é que o fiel leve em consideração grande parte dos argumentos e sintetize uma ideia para sua vida individual de fé, evitando posicionar-se contra outras etnias de forma preconceituosa e xenofóbica.

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